Coluna

São João de Jequié, qual a sua importância, problemas e soluções? Análise e números, antes e agora

São João de Jequié, qual a sua importância, problemas e soluções? Análise e números, antes e agora

O São João é a mais expressiva celebração popular do ciclo junino da Região Nordeste do Brasil, realizada anualmente, durante todo o mês de junho. A cidade de Jequié, situada a 360 km da capital, Salvador, no sudoeste da Bahia, é um dos maiores municípios do Estado da Bahia com mais de 156 126 mil habitantes (2019) e tem como rota de chegada a BR 330, BR 101 e BR 116. A comemoração do São João de Jequié já se destacava como uma das maiores festas juninas da Bahia e, em 2011, o São João de Jequié recebeu o certificado de Melhor Festejos Juninos no Território de Identidade Médio Rio de Contas, através da votação popular no projeto: Festejos da Bahia com patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado.

O evento junino em Jequié homenageou grandes ícones do forró brasileiro, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, etc. Passou também por um importante período, desde a sua criação, contudo foi preciso fazer um redirecionamento e promover um olhar para sua dimensão lúdica, aspecto primordial para contextualizar sua expressividade no âmbito do turismo de eventos, aglutinando elementos artísticos, estéticos e tecnológicos da indústria cultural, porém aliando-os a reinvenção das tradições, exaltando a cultura nordestina e os valores inerentes à cidadania participativa na perspectiva do turismo sustentável.

O São João de Jequié tem passado por importantes momentos de desenvolvimento, mas na Gestão Tânia Brito, não foi dada devida atenção, continuo assim na Gestão Ségio da Gameleira, pois o gestor não deu a devida importância aos festejos juninos, mesmo tendo à frente da pasta da Cultura pessoas capacitadas para realizar bons festejos juninos, talvez por falta de visão administrava, sobretudo nos contextos: Cultural, Turístico e Econômico. O evento junino tem sua importância, contudo a gestão à época, não enxergava as constantes do evento como, por exemplo: crescimento do setor cultural, preservando também a identidade cultural do município, somada ao crescimento econômico e divulgação de suas áreas, investimentos financeiros de suma importância que movimentam altos valores em sua produção e envolvem setores produtivos rentáveis, nos moldes de bens de consumo, conforme o interesse que desperta em investidores, patrocinadores, governos, cadeia produtiva do turismo, mídia, entre outras áreas da economia, em 2020 devido a situação de pandemia do Covid-19, não houve a realização dos festejos, presencial devido as medidas sanitárias e tampouco virtual por meio de lives.

Na Gestão Zé Cocá, devido também a situação de pandemia da Covid-19, não haverá o São João 2021 de forma presencial, mas ensaia os festejos juninos de forma virtual por meio de lives para este ano, o que já pode ser considerado um avanço e preocupação com os setores Cultural, Eventos, Turístico e Econômico, o que é importante, garante em partes a sobrevivência, sobretudo dos setores Cultural e de Eventos, mas o projeto devia ter sido elaborado há mais tempo e com a participação da sociedade civil organizada e setores outros da sociedade para que o evento, mesmo que virtual pudesse atingir economicamente mais pessoas e garantisse a participação popular nos festejos, é importante que em qualquer gestão a colaboração a colaboração da sociedade civil nas formulações de políticas públicas, assim como na construção do projeto para a realização dos festejos juninos.

Quando não, são dadas as devidas importâncias aos festejos juninos, ocorre o desmonte dos festejos, proporcionado pela falta de planejamento e vontade política da gestão seja ela qual for seguindo na contramão, pois muitos municípios têm suas grandes festas, entre as principais atividades econômicas locais, condição que leva tal celebração a ter primazia nos planos político-administrativos e no imaginário popular. O São João de Jequié alcança o ápice de importância entre as realizações do setor com grandeza comprovada na diversidade, qualidade, quantidade e originalidade de suas atrações artísticas de caráter multifacetado no que tange à cultura, como também nos dados estatísticos sobre sua rentabilidade econômica, investimentos do setor público e privado, interesse da mídia, fluxo turístico e, em especial, a participação popular, destacando-se, neste ponto os ganhos financeiros por meio de consumo, geração de emprego e renda que são traduzidos em forma de investimentos e ganhos financeiros de suma importância, movimentando altos valores em sua produção e envolvem setores produtivos rentáveis, nos moldes de bens de consumo, conforme o interesse que desperta em investidores, patrocinadores, governos, cadeia produtiva do turismo, mídia, entre outras áreas da economia.

A comunidade local vive intensamente o simbolismo do ciclo junino, na moda e na decoração de espaços públicos, comércio, bancos, supermercados e residências, assim como na gastronomia e temática publicitária, pautando, também as enunciações da mídia local e regional. Nos bairros da nossa cidade surgiu uma infinidade de arraiais e quadrilhas improvisadas, famílias fechavam as ruas para acenderem suas fogueiras e se divertirem evitando a enorme aglomeração da Praça da Bandeira, mesmo com a criação de espaços, como a vila Junina, mas socializando dessa forma a economia, seja ela no centro da cidade, bairros distritos ou povoados.

O que  desestabiliza o são João de Jequié?

Uma má gestão, pois, fica claro e notório que a falta de discussão com a comunidade, setor comercial e industrial, mídia, artistas e empresários artísticos leva a gestão da atualidade a isolar-se para a realização dos festejos juninos, claramente para ter o domínio, quase que privado de um evento público na tentativa talvez de obter vantagens políticas, como ocorre na maioria dos municípios.

Breve análise da evasão econômica e turística por falta de planejamento do evento.

Com a falta de planejamento e comprometimento para com os festejos juninos, apresento um calculo simples.

Se cerca de 800 (oitocentos) jovens viajarem para a cidade de Ibicuí no período junino, esses jovens levarão consigo também a força do investimento, ou seja, recursos financeiros produzidos no município de Jequié que serão gastos no município de Ibicuí. Eles gastarão em média, cada um, o valor de R$1.000,00, totalizando R$ 800.000,00 que serão investidos na cidade de Ibicuí, só com a compra de ingressos por parte dos jovens jequieenses para terem acesso aos 03 dias de festas privadas. Falta somar a esse valor o aluguel de casas, despesas com combustível, alimentação, bebidas, etc. Conclusão, a não realização planejada do São João de Jequié, além de não trazer investimentos e promover a sociabilidade cultural e econômica, fomenta prejuízos em vários setores da sociedade, sobretudo a artística e econômica com a saída de recursos financeiros para outros municípios.

São João em números, quando planejado.

O São João de Jequié concentra grandes potencialidades que impulsionam o fluxo turístico da cidade e da região. A arrecadação de impostos chega a aumentar em torno de 40%, análise feita considerando e analisando os 02 meses que antecedem e os 02 posteriores aos festejos. O aumento da arrecadação municipal pode ser percebido por 02 indicadores: com o ISS - Imposto Sobre Serviços (imposto municipal) e pela cota de repasse do ICMS (imposto estadual) que é calculada, conforme determinação Constitucional, pelo Índice de Participação dos Municípios – IPM, o repasse é feito pelo Governo do Estado ao município. Já chegamos a mais de setenta mil pessoas circulando nas praças por noite, segundo a Polícia Militar da Bahia à época. 

Jequié como polo turístico. Saiba por que:

Localização boa -

Situa-se na região Sudoeste do Estado a 365 km da capital.

Vias de acesso

Localizada as margens da BR 116 (principal rodovia que liga o Sul ao Nordeste do país). É também cortada pela BR 330 que liga o sul ao oeste do Estado e está próxima de diversas outras rodovias estaduais que dão acesso à cidade, além da BR 101.

Economia -

Com economia diversificada entre a pecuária, agricultura, comércio em geral e um setor industrial bem desenvolvido.

Infraestrutura -

Privilegiada em sua rede de abastecimento de água e energia, apresenta um dos mais altos índices de saneamento do país, além de pavimentação asfáltica nas ruas e avenidas, contudo essa realidade tem mudado.

Trade turístico -

Hotéis e pousadas - São cerca de 15 hotéis e 10 pousadas, totalizando em números próximos 1.300leitos que são ocupadas por turistas. Cerca de 200 casas de particulares já foram colocadas à disposição para locação no período junino, gerando renda para diversas famílias, além de espaços disponibilizados para o camping e pessoas que ficam em casas de parentes.

Bares e restaurantes - São cerca de 30 unidades divididas em churrascarias, comida italiana, japonesa, chinesa, baiana, nordestina, típica da região, portuguesa, entre outras. Que proporcionam ambientes simples, estilizados e requintados.

Delicatessen, lanchonetes e sorveterias - São mais de 30 todas próximas dos locais de movimentação turística.

Postos de combustíveis - São cerca de 35 postos de gasolina espalhados por vários pontos da cidade.

Agências bancárias - São 06 agências bancárias, sendo a do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Bradesco, Itaú e Santander, além de bancos postais, caixas eletrônicos e 24h espalhados em alguns pontos da cidade.

Táxi - São cerca de 10 pontos de táxi divididos em pontos estratégicos com grande movimentação turística.

Transporte coletivo - São várias as empresas de transporte municipal, intermunicipal e interestadual.

Aeroporto - Para voos de pequeno porte. O aeroporto não funciona hoje regularmente, contudo teve a pista recentemente recapada e pintada, mas precisa de revitalização, pois é um importante portão de entrada turística, entre outras funcionalidades.

Rede varejista e atacadista de alimentação - A cidade possui 01 atacado, 01 hipermercado, cerca de 30 supermercados e uma grande quantidade de mercadinhos e mercearias em diversos pontos da cidade.

Operadora de celular - Funciona normalmente a operadora Vivo, Claro, TIM e Oi.

Atrativos turísticos -

Espaços culturais - Durante o período dos festejos juninos acontecem eventos e atividades culturais nos espaços culturais, sendo eles: 01 museus, bibliotecas informatizadas com acesso à internet, 01 Centro de Cultura, 01 Teatro Municipal, 01 Casa da Cultura. Infelizmente esses espaços precisão de revitalização ou serem reabertos.

Lazer - Passeios de Jet ski, trilhas urbanas e rurais, etc.

Comunicações -

Veículos de comunicação - A cidade possui provedor local de acesso à internet, 06 emissoras de rádio FM, 02 jornais, 02 revistas mensais, Blogs, sites e 01 portal de notícias.

Rede de serviços -

Rede de saúde pública e privada - Dispõe de 01 hospital geral com serviço de pronto socorro, emergências cirúrgicas e UTI, 01 Policlínica e cerca de 06 centros médicos da rede pública, possuindo  serviço de atendimento de urgência a domicílio do SAMU, tendo ainda 01 hospital e cerca de 05 clínicas médicas da rede privada especializadas com serviço de pronto socorro, emergências cirúrgicas, UTI, laboratórios e farmácias.

Segurança -

Rede de segurança pública - A segurança da cidade é garantida por Batalhão de Polícia Militar, Polícia Civil, Posto da Polícia Rodoviária Federal, Guarda Municipal, além do Grupamento de Bombeiros Militar que garante os socorros de urgência e combate a incêndios.

Conclusão final do exposto.

O não planejamento, bem como a não realização dos Festejos juninos, geram enormes e incalculáveis prejuízos à cultura, economia e tradição turística, que para serem reparadas, demorarão anos. As administrações municipais têm se mostrado incapazes de gerir os festejos juninos de Jequié por não conseguir realizar e sistematizar o planejamento, pois é preciso consolidar o São João de Jequié, como um grande evento de potencial turístico agregando valores da cultura local, economia e trade turístico.

André Bomfim, Gestor Público, Produtor Cultural e Comunicador.